O Sindicato afirma que distribuidoras elevaram preços do P13 e cobra transparência na formação dos valores; mobilização está prevista para segunda-feira
Revendedores de gás de cozinha de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul programam uma paralisação para a próxima segunda-feira, 21 de setembro, em protesto contra aumentos que, segundo a categoria, chegaram a R$ 8 no preço do botijão de 13 quilos, conhecido como P13. A mobilização é organizada pelo Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste (Sinergás), que questiona os valores repassados pelas distribuidoras ao comércio.
Segundo informações divulgadas pelo sindicato e confirmadas por reportagens publicadas neste sábado, 19 de setembro, os reajustes comunicados aos revendedores variam entre R$ 4 e R$ 8 por botijão. Em Goiás, o preço médio informado pelo setor é de aproximadamente R$ 130. As empresas Copa Energia, Ultragaz, Nacional Gás, Supergasbras e Consigaz são citadas como alvos da mobilização.
A categoria afirma que pretende mobilizar caminhões em frente às bases das distribuidoras como forma de protesto. De acordo com o presidente do Sinergás, Zenildo Dias do Vale, o movimento deverá envolver aproximadamente oito mil funcionários do setor em todo o país.
O dirigente também questiona a formação dos preços e afirma que o problema não estaria restrito ao valor final pago pelo consumidor. Segundo ele, Goiás comercializa cerca de 70 mil botijões por dia, o equivalente a aproximadamente 2 milhões de unidades por mês. As declarações foram divulgadas pelo Mais Goiás.
O Sinergás informou que pretende encaminhar pedidos de investigação ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A intenção é solicitar a apuração da formação dos preços e dos aumentos questionados pela categoria.
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A ANP, por sua vez, mantém levantamento semanal dos preços de revenda e distribuição do GLP P13. A edição mais recente, referente ao período de 13 a 19 de setembro de 2026, foi atualizada pela agência em 18 de setembro. Os dados incluem informações de preços praticados nos estados e municípios brasileiros.
A agência esclarece que os preços de combustíveis e derivados de petróleo no Brasil seguem regime de liberdade de preços. Dessa forma, não existe tabelamento nem fixação de valores máximos ou mínimos pela ANP, tampouco necessidade de autorização prévia da agência para reajustes.
Por esse motivo, a alegação de que o aumento foi determinado pela ANP não encontra confirmação nas informações oficiais consultadas. O que está documentado é que o Sinergás atribui os aumentos às distribuidoras e cobra esclarecimentos sobre os valores praticados. A eventual existência de irregularidade ou abuso na formação dos preços deverá ser analisada pelos órgãos competentes.
A paralisação anunciada também poderá afetar a distribuição do produto caso haja adesão significativa dos revendedores. O impacto efetivo sobre o abastecimento, entretanto, dependerá da participação da categoria e da duração do movimento.
Além da questão dos preços, o sindicato afirma que a mobilização poderá afetar a operação do programa Gás do Povo. Segundo reportagem do jornal O Hoje, os revendedores alegam dificuldades relacionadas aos custos de entrega do benefício diante dos novos valores praticados no mercado.
A discussão ocorre em um mercado de grande impacto para as famílias brasileiras, já que o botijão de 13 quilos é utilizado por milhões de consumidores para o preparo de alimentos. Por isso, alterações nos preços do GLP têm reflexos diretos sobre o orçamento doméstico e sobre estabelecimentos comerciais que utilizam o produto.
Até o momento, os questionamentos sobre os aumentos representam a posição apresentada pelo Sinergás. As distribuidoras citadas nas reportagens deverão ser ouvidas para que apresentem suas justificativas sobre os reajustes e a formação dos preços.
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Mais Goiás, O Hoje e Sinergás.
Crédito das fotos: Agência Brasil/Reprodução.

