A Pesquisa do Sebrae revela protagonismo histórico das micro e pequenas empresas frente às grandes corporações, impulsionado pelo consumo doméstico e pelo setor de alimentação fora do lar.
Ao longo de três décadas cobrindo a economia real — aquela que acontece longe dos gabinetes climatizados e bem perto das calçadas das nossas cidades —, aprendi a valorizar os verdadeiros gigantes do desenvolvimento nacional: os pequenos negócios. Um levantamento do Sebrae confirma o que o cotidiano já nos mostra. As micro e pequenas empresas (MPEs) consolidaram-se como as maiores geradoras de emprego no comércio brasileiro, sendo responsáveis por quase 70% de todas as vagas formais de trabalho no setor.
O Gigante Invisível: Pequenos Negócios Superam Grandes Corporações
Os dados da pesquisa Panorama do Emprego, elaborada com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2024), trazem à tona um protagonismo indiscutível no mercado de trabalho brasileiro:
- Do total de 39,4 milhões de carteiras assinadas ativas no Brasil naquele ano, as MPEs responderam por 19,8 milhões de postos de trabalho.
- Esse montante superou as médias e grandes empresas, que foram responsáveis por 19,5 milhões de empregos formais.
- Quando somados os novos postos gerados nos setores de comércio e de serviços, esses dois segmentos passam a representar mais de 7 em cada 10 empregos de todo o universo das micro e pequenas empresas do país.
Essa realidade desenha um mercado de trabalho com forte dependência em relação ao consumo das famílias. No detalhamento por setores, o segmento de serviços desponta na liderança com 7,5 milhões de vagas, seguido de muito perto pelo comércio, com 7 milhões de postos ativos.
Restaurantes no Topo e a Nova Cara do Varejo
No topo da lista de atividades que mais geram emprego de carteira assinada, o ramo de "Restaurantes e similares" brilha como o principal empregador do país entre as MPEs, concentrando um expressivo contingente de mais de 721 mil postos de trabalho. Essa categoria lidera a geração de vagas em 13 estados e no Distrito Federal. Logo atrás, na preferência das contratações, ganham destaque os setores de "Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios" e de "Comércio varejista de produtos farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas".
No entanto, o estudo do Sebrae também revela que o mercado de contratações das MPEs apresenta forte concentração setorial e passa por transformações operacionais:
- Mais de um quinto de todos os vínculos de emprego das micro e pequenas empresas brasileiras está restrito a apenas dez atividades econômicas.
- Há uma nítida reconfiguração nas funções exigidas pelo comércio varejista, onde as vagas tradicionais e focadas puramente em vendas perderam espaço nos últimos anos.
- Em seu lugar, ganham espaço ocupações de caráter mais polivalente e voltadas ao atendimento geral, como a de "Atendente de lojas e mercados", que registrou um acréscimo de 52 mil postos de trabalho no período analisado.
Desenvolvimento que Vem de Baixo para Cima
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o papel de destaque das MPEs no estoque de vagas de emprego é vital para a estabilidade socioeconômica e para a distribuição de renda no Brasil.
"Ver os pequenos negócios superarem as grandes corporações em estoque de empregos formais mostra que o crescimento do Brasil é construído de baixo para cima, no comércio do bairro, na lanchonete da esquina e na farmácia local", analisa Soares. "Apoiar o pequeno empreendedor é o caminho mais rápido e seguro para garantir emprego, dignidade e inclusão social para a nossa população".
Essa constatação traduz a alma da economia de vizinhança. Enquanto as grandes corporações ditam os rumos do mercado financeiro, são as portas de comércio e serviços abertas pelos pequenos empreendedores que de fato sustentam e alimentam as famílias do nosso país.

Fonte da matéria: Agência Sebrae de Notícias.
Foto de capa: Valter Campanato/Agência Brasil.

