Goiás está em alerta: crianças têm a menor cobertura vacinal contra Influenza e concentram 60% dos casos graves

Saúde / 272

Com cobertura de apenas 21,89% no grupo infantil e tempo frio chegando, a Secretaria de Saúde de Goiás convoca famílias para o 2º Dia D de Vacinação neste sábado (23/05). Levantamento mostra que 84% dos óbitos por Influenza foram de não vacinados.

O tempo esfria. O ar seca. E os vírus respiratórios aproveitam. Em Goiás, a chegada do inverno traz um alerta urgente da Secretaria de Estado da Saúde (SES/GO): o grupo que mais precisa da vacina contra Influenza é exatamente o que menos a recebeu. As crianças, de 6 meses a menores de 6 anos, estão com uma cobertura vacinal de apenas 21,89% — a mais baixa entre os grupos prioritários.

Os números nacionais também preocupam. O Brasil registra cobertura geral de 33,32%, enquanto Goiás fica em 32,10%. Para fins de comparação, idosos chegam a 36,39% e gestantes a 39,23% — grupos igualmente vulneráveis, mas que superam com folga o percentual infantil.

O cenário é agravado pelos dados de internações. Dos 3.870 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados em Goiás neste ano, cerca de 60% envolvem crianças menores de 6 anos. São bebês e crianças pequenas sendo levados às emergências com quadros respiratórios que exigem internação — em muitos casos, evitáveis com uma simples dose de vacina.

Sete em cada dez mortes: o peso da ausência da vacina

Os dados são ainda mais contundentes quando se olha para os óbitos. Um levantamento realizado em 2025 pelo Centro de Inteligência Epidemiológica da SES/GO analisou 9.560 casos de SRAG. Destes, 1.868 foram confirmados como Influenza. E a conclusão é dura: mais de 77% desses casos graves ocorreram em pessoas não vacinadas.

Nos óbitos, a proporção é ainda mais expressiva. Dos 700 mortes do período analisado, 84% eram de pessoas que não haviam se vacinado. Em outras palavras, apenas 16% dos que morreram estavam com a proteção em dia.

Vacina reduz em 66% o risco de desfechos graves entre crianças pequenas

A pesquisa identificou ainda efeitos concretos da vacinação na redução da gravidade clínica. Entre crianças de 1 a 4 anos, a vacina reduziu em cerca de 66% o risco de desfechos graves — como internação em UTI e necessidade de intubação. Entre pacientes com doença renal crônica, a redução foi de 62%.

Os vacinados, de forma geral, apresentaram menor necessidade de suporte intensivo. Os dados apontam, portanto, que mesmo quando o vírus consegue infectar quem está imunizado, a doença tende a ser mais branda e a evolução menos perigosa.

"As crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações da influenza. 
A vacinação é uma medida segura e eficaz, que reduz significativamente o risco de casos 
graves, internações e óbitos. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis procurem 
as salas de vacinação e garantam a proteção das crianças no período de maior 
circulação dos vírus respiratórios." — Flúvia Amorim, subsecretária de Vigilância em Saúde
da SES/GO

2º Dia D: neste sábado, oportunidade para regularizar a proteção

Diante desse panorama, a SES/GO convoca municípios e famílias para o 2º Dia D de Vacinação contra a Influenza, neste sábado, 23 de maio. A iniciativa busca ampliar a cobertura entre todos os grupos prioritários — com ênfase especial nas crianças —, antes que o período mais crítico do inverno se intensifique.

A vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde. Basta levar a criança — ou qualquer pessoa do grupo prioritário — e se imunizar. Uma dose pode ser a diferença entre uma infecção leve e uma internação grave. Os dados já mostraram isso. O que falta, agora, é que os bracinhos apareçam.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde – Governo de Goiás (SES/GO) 
Foto: SES/GO