Homem de 49 anos, com 11 anos de empresa, registrava valores menores do que os efetivamente recebidos e embolsava a diferença; videomonitoramento, rascunhos manuscritos e auditoria contábil revelaram o esquema
Onze anos de confiança acumulada. Uma conta que não fechava. E um gerente que desviava dinheiro do caixa contando notas na frente das câmeras sem saber que estava sendo observado. Na segunda-feira (2), o Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) de Caldas Novas prendeu em flagrante um homem de 49 anos, suspeito de furto qualificado praticado com fraude e abuso de confiança no restaurante de um condo-hotel onde trabalhava há mais de uma década.
O suspeito ocupava posição de ampla confiança dentro do estabelecimento. Como gerente, era responsável pelo pagamento de fornecedores, pelas vendas, pelas recargas dos cartões de consumo dos hóspedes e pelo fechamento do caixa diário — justamente as funções que lhe davam acesso irrestrito ao fluxo de dinheiro e aos registros contábeis da empresa.
O esquema: notas contadas, números alterados
A mecânica do desvio era simples e reiterada. O gerente recebia o dinheiro do caixa ao longo do dia, contava as cédulas e, na hora de registrar, lançava no sistema um valor inferior ao real, embolsando a diferença. As investigações reconstituíram episódios concretos: no dia 17 de fevereiro, o homem contou 31 notas de R$ 20 recebidas durante o expediente, mas registrou apenas 23 — uma diferença de R$ 160 em um único dia. No domingo anterior à prisão, em 1º de março, recebeu 10 notas de R$ 20 e contabilizou somente 5, desviando mais R$ 100.
Individualmente, os valores podem parecer modestos. Mas a reiteração da conduta ao longo de anos, segundo a própria vítima, gerou prejuízos vultosos, já apontados em uma auditoria preliminar realizada pelo estabelecimento antes da prisão.
Câmeras, rascunhos e contabilidade: a tríplice evidência
A construção do caso pela polícia combinou três fontes de evidência. O videomonitoramento do estabelecimento flagrou o suspeito manuseando o dinheiro e realizando a contagem das cédulas. Os rascunhos manuscritos feitos pelo próprio gerente — anotações pessoais que ele usava para controlar os valores reais antes de lançar os números adulterados no sistema — tornaram-se prova contra ele. E a análise dos lançamentos contábeis no sistema da empresa revelou as divergências sistemáticas entre os valores recebidos e os registrados.
Cartões e dinheiro encontrados com o suspeito
As diligências policiais também revelaram outros indícios comprometedores. No veículo do suspeito, foram localizados cartões de consumo do próprio restaurante — documentos que não deveriam estar em sua posse fora do ambiente de trabalho. Em sua residência, a polícia encontrou mais de R$ 3.200 em espécie. Após os trâmites legais, o homem foi autuado em flagrante por furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança e encaminhado ao presídio local, onde permanece à disposição do Poder Judiciário.
O caso reacende um alerta recorrente no setor de hospitalidade: a fraude interna por parte de funcionários de confiança é uma das formas mais silenciosas e duradouras de prejuízo para estabelecimentos comerciais, especialmente quando o controle de acesso aos registros financeiros é centralizado em uma única pessoa.
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Fonte: Polícia Civil do Estado de Goiás — Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) de Caldas Novas
Fotos: Reprodução/PCGO - GEIC

