Companhia Italiana Enel negocia venda da distribuidora de energia Celg-D, em Goiás

Goiás / 274

A principal responsável pela distribuição de energia em Goiás está em processo de negociação que pode chegar a 2 bilhões de dólares.

De acordo com a agência de notícia (Reuters), uma nova batalha comercial pode ser protagonizada pela italiana Enel e a multinacional espanhola de energia Iberdrola, as empresas já disputaram mercado no ano de 2018, com a venda da Eletropaulo, uma das maiores do Brasil, segundo especialistas. Na época, a Enel desembolsou R$ 2,1 bilhões de reais na aquisição da Celg-D, das estatais Eletrobrás e o Estado de Goiás, em um leilão de privatizações em 2016.

Nesta segunda-feira (25), as ações da Enel subiram 1,9% após a divulgação das negociações. O banco de investimento do Itaú Unibanco Holding está colaborando nas tratativas. O cenário indica três grandes empresas na disputa pela Celg-D, em Goiás. Entre elas estão a CPFL Energia, controlada pela State Grid Corporation of China; a Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola; e a EDP Brasil, da qual a portuguesa EDP é a maior acionista. Ainda segundo a reportagem, há também outras empresas possivelmente interessadas na aquisição da distribuidora, as brasileiras Energisa e Equatorial Energia.

A companhia Italiana está no mercado brasileiro com quatro grandes empresas distribuidora de energia elétrica, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Goiás, fornecendo energia elétrica para mais de 18 milhões de habitantes. A matéria ressalta que em Goiás, a Enel atende mais de 3,27 milhões de clientes, possuindo atualmente um valor de mercado de R$10 bilhões de reais (2,14 bilhões de dólares), já incluso as dívidas da empresa. Já o valor patrimonial da Celg-D gira em torno de 5 bilhões de reais.

Segundo a empresa, "Em 2019, a Enel Distribuição Goiás cumpriu todas as metas previstas no plano de ação e investimento acordado em agosto com o Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Governo Estadual".

A empresa também disse que, "Os indicadores de qualidade medidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica alcançaram os melhores níveis da história da distribuidora, significativamente melhores do que os limites regulatórios estabelecidos no contrato de concessão."

Segundo ranking elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Enel Distribuição Goiás não tem atingido bons índices de adesão, estando entre as piores concessionárias de energia elétrica do Brasil. Em 2021, a empresa foi a terceira pior entre 29 empresas.

Em 2020, a empresa teve a mesma classificação da antiga Celg Distribuição (Celg-D). Houve um agravamento no indicador de duração das interrupções. O estado de Goiás ficou sem energia em média 18,75 horas em 2021, superior ao ano anterior, que foi de 16,48 horas. De acordo com a Annel, o limite estabelecido é de 12,58 horas.

No cálculo feita pela Annel, demonstra que o fornecimento de energia elétrica permaneceu disponível por cerca de 99,86%, na média nacional,  com 11,84 horas no escuro, no ano de 2021. Seis horas de diferença, em relação a concessão do grupo italiano em Goiás.

A EDP Brasil, da qual a portuguesa EDP é a maior acionista poderia ter sinergias se comprasse as ações da Celg-D. Em 2021, a empresa comprou a transmissora Celg-T por 2 bilhões de reais em um leilão de privatização. Para o CEO da EDP Brasil, João Marques da Cruz, em conversa com investidores na semana anterior, disse que a empresa avaliaria participar de processos competitivos por distribuidoras de energia à venda.
 
Fonte: Agência de Notícias Reuters